terça-feira, 24 de junho de 2025

Te olho como quem já te escolheu com todos os sentidos.

Te olho como quem já te escolheu com todos os sentidos.

O olhar dela não era distraído.

Tinha fome.
Fome de presença, de pele, de entrega.

Ele sentiu.
Porque havia algo no jeito como ela o fitava que queimava devagar, feito promessa.

— Por que esse olhar? — ele perguntou, tentando soar casual, mas já envolvido.

Ela se aproximou sem pressa, com aquele jeito de quem diz tudo sem precisar de voz.

— Porque já te escolhi…

— Escolheu o quê?

Ela sorriu, os olhos cravados nos dele.

— Tudo. Teu cheiro, tua pele, tua boca.

Ele engoliu em seco, como quem percebe tarde demais que já foi seduzido — sem um único toque, sem nenhuma pressa.

Ela o havia escolhido com o corpo, com a memória, com a intenção.

E agora, ele sabia:
era só questão de tempo até o resto acontecer.

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