sábado, 17 de maio de 2025

Gosto do perigo leve, daquele que começa com um olhar.

 Gosto do perigo leve, daquele que começa com um olhar.

— Você gosta de perigo? — ele perguntou, meio brincando, meio querendo saber até onde ela iria.

Ela não respondeu de imediato. Deixou o silêncio trabalhar por alguns segundos, sustentando o olhar que já dizia o bastante.

Depois, com um sorriso enviesado, confessou:

— Gosto do perigo leve, daquele que começa com um olhar.

Aquele tipo de risco que não grita, mas deixa o corpo em alerta. O que entra devagar, desperta curiosidade, aquece a pele antes mesmo do toque. Um olhar firme, cheio de intenções escondidas, pode ser mais incendiário do que qualquer ato.

Ela não precisava de promessas ousadas ou palavras explícitas. Bastava o jogo sutil — o jeito como os olhos se encontram, desviam e voltam. Bastava perceber que ele entendeu a linguagem silenciosa do desejo.

Porque o perigo que ela mais gostava era o que a fazia arder sem se mover. O que acendia, primeiro, por dentro.

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