sexta-feira, 4 de abril de 2025

Escrevo como toco: sem pressa, mas deixando marca.


Ele lia devagar, como se cada palavra dela tivesse o peso de um toque. Já não era apenas uma conversa — era quase uma experiência. Ela sabia escrever com intenção, como quem acaricia com os olhos antes de chegar com os dedos.


— Suas palavras ficam na minha cabeça… — ele disse, deslizando o dedo pela tela, relendo o que ela havia mandado.


Ela sorriu, sabendo exatamente o efeito que causava.


— É que eu escrevo como toco — respondeu, com um ponto final que parecia um beijo. — Sem pressa, mas deixando marca.


Ele fechou os olhos por um instante. Quase podia sentir os dedos dela caminhando lentamente sobre a pele, como se cada vírgula fosse uma pausa carregada de tensão, e cada ponto final… um arrepio.


As frases dela não se apagavam com o tempo. Elas ficavam. Presas em algum lugar entre o pensamento e o desejo.


E ele, mesmo sem tê-la tocado, já carregava as marcas.

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