quinta-feira, 30 de julho de 2026

Você flerta como quem acende fósforo perto de gasolina.


Você flerta como quem acende fósforo perto de gasolina.

Ela já sabia que deveria recuar.

Mas havia algo viciante no jeito como ele provocava sem pressa.

— Você gosta do perigo?
Ela sorriu lentamente.
— Só quando ele olha de volta pra mim.

E ali, os dois entenderam:
ninguém naquela conversa estava tentando apagar o incêndio

sábado, 25 de julho de 2026

O problema da nossa conversa é que o corpo começa a responder antes da razão.

 


O problema da nossa conversa é que o corpo começa a responder antes da razão.

Eles ainda estavam falando sobre coisas comuns quando o clima mudou sem aviso.

— Você percebe o que faz comigo? — ele perguntou.
Ela respirou fundo antes de responder:
— Percebo. E você também percebe.

O pior das conversas perigosas é isso:
o corpo entende antes da coragem admitir.


quinta-feira, 23 de julho de 2026

Tem perigo no jeito que você diz meu nome devagar.

 

Tem perigo no jeito que você diz meu nome devagar.

Ele disse o nome dela lentamente, como quem experimenta algo proibido.

— Por que você falou assim?
— Porque gosto do efeito que teu nome tem na minha boca.

Ela desviou o olhar por um instante, mas o arrepio já tinha acontecido.
Algumas pessoas não precisam tocar para incendiar.

sábado, 18 de julho de 2026

Você me olha como quem já imaginou coisas perigosas comigo.

 


Você me olha como quem já imaginou coisas perigosas comigo.


Ela sustentou o olhar dele por tempo suficiente para perder a tranquilidade.

— Que olhar é esse? — perguntou, tentando parecer calma.
Ele sorriu sem pressa.
— O tipo que não deveria durar tanto.

Mas durou.
E no tempo exato daquele silêncio, os dois entenderam que já estavam atravessando um limite invisível.

quinta-feira, 16 de julho de 2026

Toda conversa nossa começa inocente demais para terminar segura.


Toda conversa nossa começa inocente demais para terminar segura.

A conversa começou simples.

Uma provocação pequena, um sorriso atravessado, um silêncio longo demais.

— A gente devia mudar de assunto — ela disse, já sabendo que não queria.
Ele aproximou o rosto devagar.
— Devia. Mas olha como você continua aqui.

E continuou.
Porque certas conversas não procuram sentido — procuram incêndio.

sexta-feira, 10 de julho de 2026

Você me lê nos detalhes que ninguém presta atenção.

  

Você me lê nos detalhes que ninguém presta atenção.


Ela não precisava de confissões.
Lia nos detalhes: no ajuste da roupa, na pausa antes da resposta, no olhar que demorava um segundo a mais.

— Como você percebeu? — ele perguntou, curioso.
Ela respondeu com calma, quase um sussurro.
— Porque eu te observo quando você acha que ninguém está vendo.

Era ali que tudo começava.
Na atenção silenciosa, no cuidado em notar o que passa despercebido.
Porque ser visto de verdade é uma forma intensa de intimidade — e nem todo mundo está pronto para isso.

quinta-feira, 9 de julho de 2026

Quando você chega perto, meu corpo esquece a postura.


Quando você chega perto, meu corpo esquece a postura.

Ela percebeu no próprio corpo.

No jeito como os ombros relaxaram, na respiração que perdeu o ritmo ensaiado.

— Você fica diferente comigo — ele comentou, observando atento.
Ela sorriu de leve, sem negar.
— Não. Eu fico verdadeira.

Não era falta de controle.
Era excesso de vontade.
A presença dele desorganizava a postura, desmontava a defesa.
E quando o corpo abandona a formalidade, é porque algo dentro já decidiu ficar.

Tem conversa que começa na boca e termina na pele.

  Tem conversa que começa na boca e termina na pele. Eles continuavam conversando, mas já não prestavam atenção nas palavras. — A gente devi...