terça-feira, 1 de julho de 2025

Entre o toque que demora e o olhar que promete, eu te enlouqueço.

 Entre o toque que demora e o olhar que promete, eu te enlouqueço.

Era um jogo de paciência.
Ou de tortura.
Ele já não sabia mais.

Cada vez que ela o olhava com aquela mistura de promessa e controle, ele sentia o corpo se contrair.
Mas o toque… ah, o toque nunca vinha logo.
Era adiado.
Retardado como um presente que se desembrulha com os dentes.

— Você faz isso de propósito? — ele perguntou, a voz embargada.

— O quê?

— Me olhar assim… e não tocar.

Ela riu baixo, como quem carrega o segredo da loucura.

— É que eu gosto de enlouquecer devagar.

E ele já estava no ponto.
Um passo dela, um sopro, e ele se desmanchava.

Mas ela ainda não tocou.
Porque ela sabia:
o olhar, às vezes, tem mais poder que o próprio toque.

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