sábado, 26 de abril de 2025

Gosto de quem lê minhas intenções sem eu precisar soletrar.


Tem gente que precisa de tudo explicado. Vírgula por vírgula. Sinal por sinal. Mas ela não.

Ela escrevia com cheiro, deixava desejo nas pausas e provocava nos silêncios. E ele lia.

— Você sempre deixa tudo tão no ar… — ele disse, tentando decifrá-la.

Ela apenas sorriu, como quem sabe que as melhores respostas não vêm prontas.

— E você sempre entende mesmo assim.

Ela não queria quem pedisse legenda. Queria quem interpretasse os olhares, os gestos, os parênteses da alma. Quem sentisse sem precisar ouvir. Quem tocasse com a mente antes mesmo de chegar perto com as mãos.

Porque há um prazer secreto em ser compreendida no que se esconde.

E ele… ele lia como poucos.

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